botões cor-de-rosa


But they've told us
Unless we can prove
That we're doing it
We can't have it all
(I want it all)


dás por ti e estás num espaço, que não sabe a rigidez nem a flutuação. acordas num espaço, uma casa na árvore, uma casa dentro da árvore, um espacinho que cheira a seguro, a novelos de lã, a livros e a flor. percebes que és um ser que não percebes bem, não sabes bem o que fazer contigo. sabes que sentes uma energia vibrante que nunca será explicável, e sabes que gostas de coleções de botões, de pedras, colheres, bonecas pequeninas, casinhas mais pequenas que a tua pequenez. sais dessa árvore, consciente da tua inconsciência, a vida faz-te confusão de tanto que a sentes, tanto que sentes. sais e os teus pés sentem lama e relva, e o teu corpo todo vibra. sabes que não és tu, o tu e eu não existe, e sabes que experiencias a vida humana por razões alheias a ti. sentes-te transcendente, sem espaço onde caber, decisões por decidir, queres escolher e ver tudo por todo o lado, com vestidos bonitos e roupa suja e indelicada, a explodir de entusiasmo e gratidão. moves-te pela vida pelo que és, nada, e por seres nada seres parte do Todo. ouves o ar, não há maldade, não há mágoa, não há falta de animais, de amor. tu sabes e sabes que Tudo sabe que a razão não existe, porque nada quer saber, e percebes que se tudo soubesses nada entenderias, porque és muito pequena.


encontras um certo conforto nisso. aliás, percebes que, se pudesses entrar e viver a vida que imaginas nas casinhas tão pequenas que colecionas, onde se faz pão e as sensações quentes te consomem, esquecer-te-ias da imensidão que é ser do teu tamanho agora. serias de um tamanho diferente, por isso nunca compreenderás o que é ser de outro. olhas ao espelho e vários pensamentos estão calados de tão interiorizados. não passas a ferro os teus cabelos por dever, nem arrancas os pelos que o teu corpo te deu. não evitas certa cor, nem certo parecer. na verdade, tens tão poucos deveres, que aceitas desconstruções: a tua identidade não é estática, flui livremente e salta e grita - e respira. és tudo, porque não és nada, e ninguém tem nada a dizer, porque todos são nada e nada é relevante. fazes o que queres e fazes de relógio, escolhes combinações bonitas e só sentes sono quando queres dormir. tudo é êxtase e conforto. amor e curiosidade. lês na pele que este espaço é feliz por ser inato, triste por ser difícil. não vives numa árvore, mas colecionas coisinhas. não percebes se és conciliável com esta vida, mas - tens de ser. relembras que nem sempre te deixaste apreciar rosa e cuidar do cabelo como se de uma planta te tratasses. tens que ser e tens de existir incansavelmente, todas as manhãs, por ti e por todos os que vivem em casas nas árvores, em bules de chá, em frascos bonitos de polpa de tomate.




bem-vindxs de volta, espero que tenham um dia radiante ☮

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