to be a woman is to perform

odeio pertencer à geração que fica a pensar em determinado tópico porque "vi num reel", mas, por outro lado, é ótimo que a informação e as reflexões estejam cada vez mais à mão de semear.

bem, noutro dia vi num reel uma rapariga que argumentava sobre o facto de ser mulher ser constantemente uma atuação. não me sai da cabeça desde que o vi, porque é tão fácil de me identificar e remete para tudo o que alguma vez quis negar. e deixa-nos num limbo estranho entre "não quero depilar-me porque tenho de depilar-me" VS "vou e quero depilar-me porque é simplesmente mais fácil". tomar conta de mim às vezes parece um statement. envergonham-me os anos que demorei a perceber que não esticava o cabelo "porque queria" mas sim porque era o ideal mais simples e rápido e bonito que conhecia. desde sempre que a minha mãe me diz para esticar o cabelo, ainda hoje, que tenho o cabelo lindíssimo, natural e encaracolado.

o segundo ponto desse reel era que ser homem é uma não-ação. é o privilégio de SER, ser só, independentemente. não sei se concordo a 100% com esta parte, mas sei que pelo menos os que vejo têm muito mais a liberdade de ser em muitos aspetos. por outro lado, há muitos homens que não conseguem ser. a vergonha emocional geral, o achar que têm de ser fortes e um pilar, defensivos, etc mostram muito isso e não devem ser coisas fáceis de lidar também.

o que nos difere para mim é a proteção de simplesmente se encaixar no significado que a sociedade criou de ser homem. e quando se vai ao fundo da questão, o problema da sociedade é ser feminino ou não ser feminino o suficiente, dependendo do género e outras questões, porque ainda hoje ser feminino é algo frágil, mais pequeno, mais delicado, que precisa de ajuda e percebe emoções.

sinto que tenho de treinar para ser mulher e treinar ainda mais para ser uma pessoa.
felizmente sou mulher, mas infelizmente sou mulher, porque nem sei o que isso significa. 

no fundo, não significa muito.

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